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quarta-feira, 7 de março de 2012

Vocação da Consagração: uma beleza a ser explorada...



            
A beleza da nossa vocação de consagração requer que aprofundemos sempre mais o nosso caminho de interioridade e comunhão com Deus, para conseguirmos ascender, pela contemplação da beleza do nosso carisma aquela Beleza que é Deus próprio (cf. Sl 27,4). É uma busca para descobrirmos em nós as sementeiras da beleza divina, aquela beleza que Deus inscreveu em nosso ser desde a eternidade e, assim, fascinadas, transmiti-la a nossos irmãos, de tal modo que todos reconheçam terem sido plasmados à imagem e semelhança do Pai, “Beleza infinita”, como disse Santo Agostinho.

           O vocábulo hebraico que traduz a palavra “belo” é “tob”, que também significa “bom”. Assim é belo o que é bom. Indica também o trabalho de um escultor, capaz de extrair, trazer para fora, uma bela estátua de um tronco informe e bruto de madeira. Aquela obra-prima é “tob”, algo que provém do tronco, mas ao mesmo tempo dele se distancia, é algo profundamente diferente, é uma obra de arte!


              “Deus viu o que havia feito, e viu que era muito bom” (Gn 1,31), foi ao criar o homem que a criação de boa passou a ser muito boa. A expressão bíblica não é um simples juízo estético sobre a criatura humana, é muito mais, é um imperativo: Adão deve ser muito belo, deve chegar ao cume de tal beleza. É um caminho gradual para sermos muito bons (ou boas), sermos belos (belas), a ponto de alcançarmos a total parecença com Deus. Nas fibras de cada pessoa está inscrito o chamado a fazer da própria vida uma obra-prima, uma imagem conforme aquela querida por Deus, como que retirando tudo que entulha essa beleza divina que já trazemos em nós.
  

             Temos consciência de que a beleza, a qual somos chamadas a testemunhar, como consagradas, deve ser, antes de tudo, acolhida na contemplação da única Beleza que é o Cristo, Ele que restitui a beleza primitiva perdida pelo pecado na história humana. Dostoievski nos ajuda a contemplar a beleza de Cristo: “No mundo existe somente uma figura absolutamente bela: é Cristo! A manifestação desta figura infinitamente, incomparavelmente bela, é certamente um milagre sem par: a Encarnação é a manifestação da beleza. Os discípulos reconheceram como divina esta carne radiosa, deram testemunho nos mais cruéis suplícios a felicidade de levar em si mesmos esta carne, de imitar a perfeição desta figura e de acreditar no Cristo Encarnado. É pelo mérito deles que a terra foi santificada”.


Somos chamados a irradiar a Beleza de Cristo em qualquer lugar onde estivermos, em continuidade com a missão dada aos Apóstolos. 
Ir.   Lorena Belinovski 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Festa na família religiosa - Jubileu de Prata

Ir. Maria Alice celebra seus 25 anos de Consagração 

"Não foste vós que me escolheste,  fui eu que vos escolhi" (Jo 15, 16)

No dia 16 de fevereiro de 2012 estou completando 25 anos de início de minha Vida Religiosa.
O que dizer??? Tantas coisas...  vou tentar relatar um pouco das descobertas do Amor de Deus e alguns serviços que com a Graça Dele pude e posso realizar em benefício dos irmãos, adultos, jovens e crianças. Acredito que quando Jesus chama alguém para segui-lo na Vida Religiosa, faz um convite para estarmos dispostos a colocar  a própria vida a serviço dos pobres e sofredores, para gerar vida. Seguir a Jesus é um caminho que assumo a percorrer junto com Ele e com Maria, o meu caminhar deve ser tentar viver segundo o seu exemplo. Ele quis estar no meio do seu povo não como aquele que é servido e reverenciado, mas simplesmente como aquele que serve. Por isso eu também quero doar-me a Deus com a minha vida, nas pequenas coisas, nos fatos pequenos ou grandes, que o percurso da caminhada proporciona.


No decorrer destes anos, após a formação religiosa inicial, tive a oportunidade de conviver muitos anos na minha própria comunidade de origem em Ponta Grossa, onde estive de 1991 até 1994; neste período fiz curso de Magistério no Colégio Sagrada Família e auxiliei na catequese da Comunidade Nossa Senhora Medianeira. No início de 1995 fui transferida para São Paulo Capital para trabalhar como diretora e professora da Escola de Educação Infantil das Irmãs dos Sagrados Corações. Nesta cidade vivi sete anos, trabalhando com as crianças e junto com elas descobrindo a beleza e a ternura de Deus, que se revela tão puro e sabiamente no coração dos pequeninos, me recordo os momentos de orações que fazia com elas a pureza das palavras que usavam para se dirigir a Deus. Em São Paulo fiz o Curso de Pedagogia na Universidade Mackenzie.


No ano de 2002 retornei à Ponta Grossa, neste período exerci o serviço de Coordenação da Creche Sagrados Corações, trabalhei junto com os Padres Agostinianos na Pastoral Juvenil, dentro da espiritualidade do Movimento dos Focolares, e auxiliei a comunidade em outros trabalhos que necessitavam de minha ajuda. Em agosto de 2011 junto com a comunidade dos Focolares, formamos um grupo de Gen 4 na Creche Sagrados Corações. Em outubro de 2011, fui convidada a fazer uma nova experiência como missionária na Guatemala onde estou vivendo atualmente. Sinto-me feliz porque Deus me escolheu e me enviou a esta missão, aqui é outra realidade, um mundo muito diferente do que vivia no Brasil, estou descobrindo um pouco da bela cultura do povo Maya.


Agradeço de todo o meu coração, a minha família por sempre ter me apoiado na minha vocação, as Irmãs dos Sagrados Corações por me acolherem nesta família e por tudo o que a Congregação me proporcionou para que eu crescesse profissionalmente e como pessoa, tudo o que sou hoje, devo a minha Congregação e a todas as pessoas que conviveram comigo nestes anos, pela amizade, confiança e apoio que deram na realização de todos os trabalhos das obras pelas quais fui responsável, as minhas queridas crianças por me ensinarem a ternura e simplicidade de Deus.

Concluo como um poema de Mário Quintana, adaptado para a ocasião:

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, já...
Quando se vê, já passaram 25 anos!
25 anos que o Senhor me chamou para consagrar a Ele minha vida...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o Amor que está a minha frente e diria que eu O amo...
E tem mais: não deixaria de fazer algo em beneficio do próximo devido à falta de tempo, por que tempo é a gente que faz.
Uma única coisa peço ao Senhor, que tenha de tempo suficiente para amá-lo, e assim reparar pelas vezes que não amei  de verdade.
Desejo apenas, viver bem o momento presente!  O passado já se encontra na misericórdia de Deus. O futuro? Toda via está em suas mãos!  Eu somente tenho por um instante o presente...


Graças Senhor por teu grande amor, sempre presente em cada instante de minha vida...
Para ver as fotos, clique aqui